Parece-me que
podemos, com maior razão, distinguir o amor em função da estima que
temos pelo que amamos, em comparação com nós mesmos. Pois quando
estimamos o objecto do nosso amor menos que a nós mesmos, temos por ele
apenas uma simples afeição; quando o estimamos tanto quanto a nós
mesmos, a isso se chama amizade; e quando o estimamos mais, a paixão que
temos pode ser denominada como devoção. Assim, podemos te afeição por
uma flor, por um pássaro, por um cavalo; porém, a menos que o nosso
espírito seja muito desajustado, apenas por seres humanos podemos ter
amizade. E de tal maneira eles são objecto dessa paixão que não há homem
tão imperfeito que não possamos ter por ele uma amizade muito perfeita,
quando pensamos que somos amados por ele e quando temos a alma
verdadeiramente nobre e generosa. Quanto à devoção, o seu principal
objecto é sem dúvida a soberana divindade, da qual não poderíamos deixar
de ser devotos quando a conhecemos como se deve conhecer. Mas também
podemos ter devoção pelo nosso príncipe, pelo nosso país, pela nossa
cidade, e mesmo por um homem particular quando o estimamos muito mais
que a nós mesmos. Ora, a diferença que há entre esses três tipos de amor
manifesta-se principalmente pelos seus efeitos; pois, como em todos nos
consideramos juntos e unidos à coisa amada, estamos sempre dispostos a
abandonar a menor parte do todo que compomos com ela, para conservar a
outra.
Isto leva-nos, na simples afeição, a sempre nos preferirmos ao que
amamos; e, na devoção, ao contrário, a preferirmos a coisa amada e não a
nós mesmos, de tal forma que não hesitamos em morrer para a conservar.
Frequentemente se viram exemplos disso, nos que se expuseram à morte
certa para defender o seu príncipe ou a sua cidade, e mesmo às vezes
pessoas particulares às quais se tinham devotado por inteiro.
René Descartes, in 'As Paixões da Alma'
sábado, 17 de dezembro de 2011
A
IMPORTANCIA DO CONCEITO NO DISCURSO FILOSOFICO
A filosofia nasceu a
partir do espanto, da admiração e da busca de conceitos. Porém, para Sócrates
não era atividade fácil familiarizar-se com os conceitos, visto que a maioria
absoluta das pessoas estava acostumada a receber passivamente os conceitos
dados ou construídos por outrem. Mas, na filosofia o papel da reflexão e da
construção de conceitos é uma atividade extremamente necessária. A passividade
é inimiga desse processo, já que se não houver refutação ou argumentação
(antilógica) não haverá construção, apenas repetições.
Os sofistas
preocuparam-se com a retórica, isto é, com o poder da argumentação e da
persuasão. Aristóteles, por sua vez, não se contentou e buscou a formulação e
estruturação de um discurso válido que podemos denominar de silogismo. Esse
processo de diferenciação foi fundamental para a ciência que se utiliza de
conceitos e discursos.
Tanto a
filosofia quanto a ciência necessitam do campo conceitual para formular suas
teorias e teses. A investigação de pesquisadores e o desenvolvimento de teorias dentro de uma
determinada cultura dependem da capacidade de diferenciar os conceitos teóricos
que determinam a praxis científica e social. A atividade filosófica será essencial
porque estará baseada na tentativa de elucidar os significados dos conceitos e sua
validade universal.
OS conceitos na
filosofia são imprescindíveis porque sem eles não conseguiríamos ultrapassar as
barreiras do mundo material/ sensível. Com eles pode-se elaborar uma metafísica
que promoveria a integração da vida material com a alma (ou intelecto). Deste
modo, o conceito assume a forma de necessidade universal, sem ele não
poderíamos sequer existir enquanto ser racional e, por isso, estaríamos impedidos
de filosofar e de atribuir significado às coisas. O conceito é o principal
alimento da reflexão filosófica.
sábado, 10 de dezembro de 2011
O
computador manipula dados ou conhecimentos?
O
conhecimento sempre esteve em pauta na história da filosofia que se debruçou
prioritariamente na busca de sentido para os vários questionamentos humanos. O
desafio para muitos filósofos é a busca de fundamentos para tudo o que o ser
humano conhece. Uns acreditam que o sensível ou o inteligível ou os dois são a
origem do conhecimento. A grande definição deste termo é elaborada por Platão
na Grécia clássica, segundo ele o conhecimento provém de uma crença verdadeira
e justificada. Já para Aristóteles este
conceito pode ser subdividido em três áreas diversas: científica, prática e
técnica.
Porém, além dos
conceitos dados por Platão e Aristóteles existe uma diversidade muito grande de
tipos de conhecimentos produzidos pela humanidade: sensorial, intelectual,
popular, cientifico, filosófico, teológico, intuitivo.
É possível preparar alguém para o exercício
da cidadania através da educação?
Na Grécia antiga houve
embates muitos fortes entre aqueles que se consideravam filósofos e os que
foram chamados de sofistas. Porém, tanto estes quanto aqueles tinham uma preocupação
filosófica: o uso da razão para um determinado fim. No caso dos sofistas a
preocupação era o treino e o estudo das habilidades da fala, da argumentação
(mundo da doxa). Já os “filósofos propriamente ditos” buscavam o conhecimento
verdadeiro (a episteme, como os gregos a conheciam).
Diante do exposto acima,
resta-nos a seguinte questão: é possível ensinar a virtude cívica? Antes de
responder a esta pergunta cabe primeiramente saber o que significa virtude. Para
Platão e Aristóteles esta era entendida como algo muito importante para a
sociedade. Para eles a virtude era algo objetivo que todos os cidadãos deveriam
saber para bem agir. Mas, é preciso enfatizar: a virtude é algo inato ou
construída socialmente? Platão procurou a essência de cada virtude que julgava
importante, já Aristóteles buscava a definição de tais virtudes (justiça,
coragem, prudência, temperança, etc.). Independente da abordagem feita por cada
um deles, o importante é que sabendo a essência ou a definição, a ação virtuosa
ocorria necessariamente. Isto significa que a virtude poderia ser ensinada. Pois,
se alguém não sabe o que é a virtude pode compreendê-la através da razão.
Adam Smith é
considerado uma grande referencia para os estudos de economia. Foi ele, por
exemplo, quem defendeu o liberalismo econômico, fenômeno caracterizado pela
liberdade de mercado e neutralidade do Estado ante os assuntos e decisões
econômicas. A economia consiste na regulamentação de praticas que tem como
principal característica fazer circular o que é produzido pela sociedade, isto
é, pelos cidadãos. Porém, o homem quando opta por viver em sociedade, faz a
opção também de se sujeitar as leis que regem um grupo. É o estado o
responsável por lutar e defender os interesses daquela sociedade. Sabendo
disso, é evidente que o Estado intervenha na economia para proteger o “seu grupo”
os “seus cidadãos”. Portanto, acredito que Adam Smith, apesar de ter dado uma
enorme contribuição para reflexões acerca da economia pode ter se equivocado ao
defender o liberalismo econômico, visto que toda atividade econômica deve ter
ligação com o Estado e mesmo que não seja totalmente controlado pelo menos
aceite algumas intervenções. O liberalismo é extremamente individualista e pode
favorecer um individuo em particular sacrificando os interesses comuns. A
ressalva a ser considerada é que o Estado não pode ser intervencionista ao
extremo e a ponto de comprometer o bem comum, como o fato que foi verificado na
época da cafeicultura aqui no Brasil quando o Estado para beneficiar os donos
de terras comprava café e estoca e depois queimava, visando valorização externa
do produto. Enquanto isso, uma grande parte da população passava fome.
Diante
disso, pode-se dizer que tanto o liberalismo quanto o intervencionismo ao
extremo são prejudiciais à economia “comunitária” e acabam gerando mau
funcionamento e distorções até chegar às desigualdades sociais. Estas existem
desde as civilizações antigas. Porém, com o advento do capitalismo e com a
globalização, ao mesmo tempo em que favoreceu as trocas comercias contribuíram
para a concentração de riquezas. As injustiças sociais vêm acompanhadas de uma
ideologia dominante, que rege a sociedade e manipula as vontades individuas e
coletivas em favor de um pequeno grupo.
Segundo Karl Marx toda sociedade é
feita de contradições e conflitos. Porém, a mudança só virá quando0 a classe
menos favorecida conscientizar-se de seu jugo e unir-se para lutar contra sua
situação de subjugado. Em suas idéias Marx defendeu um materialismo histórico e
dentro deste destacou o papel da economia. Segundo ele a estrutura econômica
era a base para toda organização social (ou superestrutura). A melhor
compreensão para esse materialismo histórico seria entender como funciona a
alienação do trabalho. Neste, o homem trona-se um ser estranho ao seu próprio
esforço e ao produto dele resultado.
Weber
por sua vez tecia uma forte critica a Marx por acreditar que este foi
extremamente reducionista e unilaterista ao reduzir toda a vida social e seus
acontecimentos ao âmbito econômico. Portanto, Weber busca descentralizar a
relevância econômica para diversos setores sociais que estão além da economia
como religião, arte, entre outros.
Para
finalizar vale ressaltar que dentro de todos os aspectos abordados até aqui
verifica-se uma busca desenfreada por concentração de riquezas e bens. A
sociedade capitalista e globalizada cria o mito da inclusão de todos dentro de
uma aldeia global na qual a única regra é consumir. Eric From, filósofo ligado
à escola de Frankfurt, escreveu uma obra intitulada “O ser o e ter” na qual
defende que a sociedade passa por um esvaziamento de sentido, isto é, as
pessoas estão perdendo o sentido de ser e de existir e passam a adotar o
comportamento consumista, segundo o qual o que vale é o ter e não ser. Aliás, o
ter passa a determinar o ser, ou seja, você é aquilo que consome.
Uma das
grandes forças deste movimento de manipulação e de controle é a mídia que
consegue impor fortes ideologias, na maioria das vezes consumistas. O reflexo
de tais acontecimentos é uma sociedade esvaziada de sentido.
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
Diferença
entre mito e filosofia
Autor: José Vandinei da Silva
A mitologia em qualquer
sociedade exerce um fascínio e pode ser vista como a primeira forma de
explicação da realidade daquele povo ou comunidade. Diante de tantos eventos
fantásticos que mexiam com o imaginário destes povos, recorria-se
principalmente às explicações a partir da própria imaginação e das crenças
religiosas da época.
A Grécia como qualquer
outra civilização passou por esta mesma etapa, porem alguns fatos históricos
marcaram uma cisão e os gregos começaram a enxergar novas maneiras de explicar
a realidade. Um evento que antes se atribuía a um deus agora passa a ser
explicado de forma diferente. A
utilização da razão passa a ser essencial para as investigações. Porém, isso
não ocorreu de forma abrupta, mas de maneira lenta e gradual, graças às
diversas modificações vivenciadas na Grécia. O comércio e as navegações
proporcionaram contato com povos diferentes, a difusão da escrita para a
população, a política e a democracia ateniense que valorizou a participação do
cidadão. Todas essas modificações implicaram uma nova maneira de enxergar e
interpretar a realidade.
O
PERCURSO HISTÓRICO DA RAZÃO E SUAS FUNÇÕES NA VIDA SOCIAL EM JURGEN HABERMAS
Autor: José Vandinei da Silva
Jurgen Habermas* foi um
grande critico da escola de Frankfurt e construiu um legado muito rico acerca
da racionalidade. Diante da concepção de
razão defendida por muitos autores clássicos ele desponta como uma nova visão e
interpretação da filosofia.
Ele
defende que o conhecimento não provém unicamente do produto da relação sujeito
e objeto ou de uma razão fechada em si mesma como defendeu muitos filósofos
anteriores. O conhecimento é fruto de uma inter-relação entre sujeitos “capazes
de falar e de agir” (HABERMAS,O
discurso filosófico da modernidade, p.276).
A
teoria da racionalidade situa-se na modernidade e é nesta que se expressará de
forma comunicativa na visão de Habermas. Esta teoria será um caminho
alternativo perante a grande dificuldade trazida pela crise cultural na qual
esta modernidade está mergulhada.
Na
visão habermasiana a razão passou por um longo processo histórico no qual ela
tornou-se um mero joguete, que seria utilizada para fins determinados segundo
as pretensões técnico-instrumentais. Ou seja, a razão passou a ser tida como
instrumental com relação a fins. Esta razão instrumental serviria,
principalmente na sociedade moderna, para alcançar fins como o domínio da
sociedade seja no campo das ciências da ação, seja no campo simbólico cultural. O
resgate da razão seria a única saída deste mundo-da-vida pleno de alienações e
dominações, provocadas pelo mau uso da razão. “Faz-se urgente o trabalho de
‘descolonização do mundo-da-vida’ e esta descolonização só será possível por
meio do resgate da ‘razão comunicativa’ ”. (MENEZES, Habermas: com Frankfurt e além de Frankfurt, p. 85).
O
que se pode verificar como característica intrínseca à modernidade é que houve
uma má utilização da razão, isto é, a razão tecnocrática e científica criou um
processo ilusório que se utilizava da epistemologia para orientar-se. Porém, em
vez de libertária tornou-se alienante na medida em que ocasionava perda do
valor da vida mediante a cristalização de uma razão autoritária e arbitrária.
Para
Habermas a razão ganhará um papel muito significativo porque se mostra como uma
alternativa nova e pertinente perante as explicações míticas e fictícias.
Porém, a pretensão da razão de tornar-se libertária para homem sob o jugo do
mundo ilusório transforma-se em seu oposto, isto é, ela provocará a
coisificação da vida humana. Em outras palavras poder-se-ia dizer que a razão
transformou-se em uma ferramenta instrumental aliada à técnica e à ciência
aprisionada em um mundo instrumental.
Porém, a razão
tem um papel extremamente importante na libertação do homem. O tipo de razão a
que Habermas se refere é a razão comunicativa. Na história da humanidade a
razão recebeu papeis diferentes criando mundos e sociedades também diferentes.
De acordo com o uso da razão, por exemplo, pôde-se referir ao mundo da ciência,
da moral ou da arte. Urge na sociedade moderna uma razão comunicativa que é
caracterizada pela comunicabilidade dos sujeitos tendo a linguagem como
mediadora. A reflexão filosófica não pode desconsiderar as diferentes
manifestações da razão. A veracidade é
pautada no discurso e na comunicabilidade e não na auto afirmação ou purismo da
razão.
Só a razão reduzida
à capacidade subjetiva de
entendimento e de actividade teleológica corresponde à imagem de uma razão
exclusiva que, quanto mais aspira triunfalmente às alturas se desenraiza até
finalmente cair, vítima da força da sua oculta origem heterogênea.(HABERMAS,O discurso filosófico da
modernidade, p.284)
Habermas
evidencia o papel da diversidade, caso contrário, a razão estará fadada ao
fracasso. O consenso estabelecido aqui favorece a formação de uma rede de
interações sociais que elaboram possíveis soluções para diversas questões
pertinentes no mundo da vida.
Essa racionalidade comunicativa exprime-se na força unificadora da fala
orientada ao entendimento mútuo, discurso que assegura aos falantes envolvidos
um mundo da vida intersubjetivamente partilhado e, ao mesmo tempo, o horizonte
no interior do qual todos podem se referir a um único e mesmo mundo objetivo.(HABERMAS, Verdade e Justificação, p.107)
Na
citação acima habermans valoriza a comunicação como essencial na criação de
sentido para o mundo da vida. Desta forma, não é possível aceitar uma razão
excludente e autoritária. O saber é democrático. É justamente por isso que a
razão comunicativa torna-se o emblema mais claro do pensamento deste filósofo e
serve de alternativa ante a razão iluminista e instrumental que encobre todo
tipo de dominação. Segundo o
autor, duas esferas coexistem na sociedade: osistemae omundo
da vida. O sistema refere-se à 'reprodução material', regida pela lógica
instrumental (adequação de meios a fins), incorporada nas relações hierárquicas
(poder político) e de intercâmbio (economia). No
dialogo comunicativo, não é o sujeito isolado que lançará alternativas eficazes
aos problemas atuais, mas, ao contrario será o conjunto dos seres ou sujeitosnão-excludentes que formam uma
comunidade comunicativa que elaborará possíveis respostas às questões
pertinentes ao mundo atual.
__________________________________
[*]Jurgen
Habermas nasceu em 1929, em Dusseldorf. Estudou Filosofia, História,
Psicologia, Economia e Literatura alemã nas universidades de Gottingen, Zurique
e Bonn. Doutorou-se em 1954 com uma tese sobre “O Absoluto na História – um
Estudo sobre a Filosofia das Idades do Mundo, de Schelling”. Em 1961,
conquistou a livre-docência pela Universidade de Marburgo. Entre 1961 e 1964
foi professor de Sociologia e Filosofia da Universidade de Frankfurt. Em 1971
exerceu as funções de Professor Visitante da Universidade de Princeton.O nome
dele está intimamente associado ao da escola de Frankfurt. Com a morte de Adorno,
Horkheimer e Marcuse – Habermas torna-se o ultimo representante da Teoria
Critica da Sociedade.
HABERMAS, Jürgen.O discurso filosófico da modernidade.Trad. Ana Maria Bernardo et al. Lisboa: Dom Quixote,
1990.
HABERMAS, Jürgen.Verdade e Justificação:
ensaios filosóficos. Trad. Milton Camargo Mota. São Paulo: Loyola, 2004.
MENEZES, Anderson de Alencar. Habermas com Frankfurt
e além de Frankfurt; Instituto Salesiano de Filosofia. – Recife: Faculdade
Salesiana do Nordeste, 2006.
Opolêmico projeto de lei do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) que propõe o novo código florestal brasileiro é “insustentável”. Além de não possuir significativa sustentação no conhecimento científico está preso às idéias ultrapassadas de crescimento econômico sem limites e uso infinito dos recursos. O novo código não se ajusta aos novos tempos, onde se busca qualificar o uso e ocupação do espaço, reconstruir a qualidade de vida do campo e da cidade; mais do que isso, não atende a necessidade de produzir mais e melhor, porém com inovação, tecnologia e características de sustentabilidade.
A idéia de um novo código, proposta pelo deputado Rabelo, não é apenas polêmica, é também um perigo. Ela ignorar os aspectos importantes das ciências naturais e do ambiente e, enquanto política pública, não se mostra um documento transparente. A sua construção não promoveu a participação efetiva da sociedade, contando, apenas, com ampla participação dos ruralistas, sem considerar outros segmentos defensores de interesses difusos da sociedade.
O código florestal brasileiro vigente, instituído em 1965, criado basicamente para proteger os ambientes florestais nativos, serviu como um importante instrumento para organizar o setor produtivo de madeira, estimulando o desenvolvimento de florestas comerciais. No entanto, ele não se prendeu apenas a idéia de proteger florestas ou ambientes florestais, estendendo o seu poder conservador a todos os tipos de ambientes presentes no território nacional.
O fato é que a Lei do Código Florestal nunca foi plenamente respeitada, nem pela maioria dos governantes, muito menos pelo setor produtivo rural, quer por desconsideração ou simples desconhecimento. Frente ao amplo território brasileiro, de dimensões continentais, que abriga uma das maiores diversidades biológicas do planeta, o agronegócio, no Brasil, parece investir mais na abertura de novas fronteiras agrícolas do que na tecnologia de produtividade. A iniciativa de aprovar o novo código, na forma em que está proposto, sem uma discussão social e técnica mais apurada, desconsidera o princípio da precaução, de que é melhor, primeiro, ampliar a discussão e só depois materializar as idéia em um instrumento de Lei.
Entre as mudanças propostas na reforma, vale destacar alguns pontos; entre eles, a anistia de todos os produtores rurais com atividades irregulares flagradas até 22 de julho de 2008, o que elimina o efeito regulador e educativo do Código vigente. No novo código são consideradas áreas de preservação permanente (APP) as faixas marginais de qualquer curso d”água natural, desde a borda do leito menor, em largura mínima que varia de 15 metros a 500 metros (era de 30 m a 500 m), entorno de reservatórios d”água artificiais, nascentes e olhos d”água, encostas ou partes delas, com declividade superior a 45º; Não é considerada APP a várzea fora dos limites previstos nas faixas marginais, a menos que o poder público disponha em contrário. Nas acumulações naturais ou artificiais de água com superfície inferior a um hectare fica dispensada a APP. É permitido acesso de pessoas e de animais às APPs para obtenção de água e para realização de atividades de baixo impacto ambiental.É permitido o uso de várzeas em sistemas de exploração sustentáveis, sendo a supressão de vegetação nativa para uso alternativo do solo condicionada à autorização do Estado. Não é permitida a conversão de floresta nativa situada em áreas de inclinação entre 25° e 45° para uso alternativo do solo, sendo permitido manejo florestal sustentável. Os imóveis rurais, exceto até quatro módulos fiscais, devem possuir Reserva Legal. No caso do Rio Grande do Sul o percentual deve ser de 20%. Poderá ser instituída Reserva Legal em regime de condomínio ou coletiva, respeitados os percentuais; O Programa de Regularização Ambiental dará prazo limite para averbação de Reserva Legal. Serão beneficiadas propriedades que tiveram vegetação nativa suprimida irregularmente antes de 22 de julho de 2008. E é justamente ai que mora o perigo.
Assim, com a descomprometida justificativa de consolidar as áreas já ocupadas com atividades agrosilvopastoris e em nome da regularização jurídica dos imóveis rurais, o programa de regularização ambiental deverá ser promulgado em até cinco anos. Neste período, fica assegurada manutenção de atividades, vedada expansão. E a partir da inscrição no cadastro estadual fica suspensa a cobrança de multas e de infrações cometidas antes de 22 de julho de 2008, deixando a nossa capacidade de preservar mais vulnerável.
O código do deputado Rabelo surge como um remédio fraco para uma doença forte. Pois, certamente não é reduzindo a área de preservação permanente, eliminando a reserva legal de pequenas propriedades e concedendo moratória ao desmatamento ilegal que o Brasil vai avançar na produção agrícola sustentável, ao contrário. Na verdade, o país vai caminhar na contramão das políticas ambientais já estabelecidas e comprometer as projeções de uma agricultura de sucesso, que prevê o controle do desmatamento, a recuperação de pastagens, o uso de novas tecnologias, a elevação da produtividade, a qualificação da atividade rural e a redução significativa das emissões de CO2.
De outra parte, pressionar a liberação ampla do processo de desmatamento, excluindo da culpa seus principais atores é, ao mesmo tempo, desconsiderar a progressividade dos diferentes cenários: ecológico e econômicos, inseridos em cada um dos biomas brasileiros. Mais do que isso, acaba por favorecer de modo ignorante o desejo patrimonial de classes sociais dominantes.
Tentando fugir da proposta estapafúrdia de um novo código florestal, o que talvez mereça mais espaço é a idéia de aprimorar o código vigente. É preciso dar mais evidência à biodiversidade brasileira, trabalhar com novas noções de espaço e assumir um novo plano de avaliação e controle. O importante é reconhecer e interpretar padrões.
Um código moderno deve operar numa perspectiva de paisagem, que reúne diferentes composições ecológicas, inclusive componentes humanos de uso e transformação do espaço. Deve facilitar o processo de licenciamento e orientar a aplicação de diferentes ferramentas de organização territorial, tais como zoneamentos e planos ambientais. E ainda, trazer para o centro da discussão todos os segmentos sociais possíveis, a modo de exigir características naturais dos ambientes ocupados e/ou sujeitos à transformação.
Os ambientes, por natureza de suas características, tendem a se comportar de maneira diferente, frente aos usos que lhe são impostos – resultado marcante da heterogeneidade espacial. Algo significativo no processo de revisão do código seria a de unificar os valores percentuais de reserva legal, com um mínimo geral para todo o território brasileiro, acrescido de um valor correspondente ao interesse ou importância à conservação da biodiversidade. Desse modo, ambientes correspondentes a paisagens de extrema importância à conservação poderiam alcançar a necessidade de elevados percentuais de reserva, independente da região brasileira considerada. É fundamental reconhecer o contexto das paisagens brasileiras, suas características, heterogeneidades e usos que vem sendo historicamente impostos. Da mesma forma, a faixa mínima para demarcação de áreas de preservação permanente, em determinadas paisagem ou situações – o limite de 30 metros – não tem sentido justificado. Então é preciso reavaliar. Na porção costeira, por exemplo, um mínimo de 30 metros pode significar uma proteção pouco eficiente dada às características de baixa cota e vales espraiados, que predominam nesses terrenos. A aplicação da lei deve seguir princípios ecológicos.
Áreas destinadas à reserva legal e faixas de proteção permanentes parecem ter pouca importância para o novo código proposto. O que é lamentável frente aos inúmeros exemplos de catástrofes naturais que se repetem anualmente, por todo o país, atingindo com violência grandes áreas rurais produtivas e centros urbanos de todos os tipos. É fácil perceber que os eventos com maior gravidade ocorreram, justamente, onde não houve qualquer respeito sobre o uso correto do espaço natural, em situações onde o risco já era naturalmente elevado. Mesmo assim, a ocupação urbana desordenada de encostas e de vales de inundação parece passar “desapercebida” pelos gestores públicos, assim como o plantio e criação, realizados sem qualquer prática conservacionista ou respeito aos limites legais de proteção.
Paisagens heterogêneas e de usos tão diversificados como os encontrados no Bioma Pampa, por exemplo, merecem uma atenção especial. Em agroecossistemas com essas características não se pode apenas aplicar a Lei, é preciso ter critério. A razão de 20% de reserva legal talvez não seja suficiente para proteger determinados padrões ambientais. Também, a faixa mínima de proteção (APP), tão pouco respeitada no Sul, mesmo que mantida e aplicada na íntegra. É preciso ter algo que garanta uma extensão maior, para situações onde as características da paisagem predizem essa necessidade.
O Pampa Gaúcho, hoje reduzido a 49% da área original, apresenta um mosaico de diferentes tamanhos e tipos de fragmentos de campo, florestas e áreas úmidas, remanescentes, assentados numa matriz de usos diversos. Assim como em outros biomas brasileiros o Pampa vem sendo, aos poucos, consumido pelo avanço de novas fronteiras de produção e enfrentando políticas distorcidas de desenvolvimento. Mesmo que a transformação desse espaço resulte de um processo histórico de ocupação, reduzir esse sistema e toda sua diversidade biológica em simples áreas de cultivo e criação, sem qualquer critério válido de proteção à vida silvestre, vai além da falta de responsabilidade, é insensato e criminoso. Desse modo, aprovar um novo código florestal sem antes discutir seus principais fundamentos técnicos, é dar continuidade a um modelo perverso de comprometimento do patrimônio natural, que é de direito de todos e que deve ser garantido às gerações futuras.
O meu colega Adriano Naves de Brito afirma que não precisa aprender Filosofia cronologicamente para aprendermos a filosofar. Concordo plenamente com essa afirmação. Isso significa que podemos aprender Filosofia por meio da leitura de qualquer texto filosófico. Eu acrescento a essa afirmação esta outra: esperar ler todos os filósofos, cronologicamente ou não, tende mais a impedir do que a estimular o trabalho filosófico.
A questão que cada um de nós deve pôr para si mesmo é esta: eu quero saber ou eu quero fazer Filosofia? Afirmo que não há melhor forma de saber que por meio do fazer ou, então, observando como se faz. A grande oportunidade perdida na academia é justamente esta: por pretender “repassar” conhecimentos filosóficos aos alunos, acaba-se por afastá-los da possibilidade de fazer. Por quê? Primeiro, porque não se repassam, em Filosofia, conhecimentos. No máximo se repassam informações. Segundo, explicam essas informações a gênese dos problemas que motivaram as diversas teorias filosóficas? Na maioria dos casos, não. Entre outras razões, pela crença generalizada de que há “questões essências” que sempre são tratadas pelos filósofos, assim como pelo preconceito de que haveria certas noções próprias para tratá-las: as da Filosofia tradicional e, de novo, as da Filosofia grega. E se, por ventura, o aluno, o que é muito provável, não se interessa pela problemática grega e nem está disposto a aprender grego? Vai abandonar seu desejo de ser filósofo por causa disso? Muitos, lamentavelmente, o fazem.
Hoje deparei-me com o impeto de escrever sobre o clip que nos últimos tempos tem me provocado algumas reflexões. O Clip de Lady Gaga lançado no primeiro semestre de 2011 é denominado de Judas e faz uma forte referencia aos valores religiosos. Entre as figuras controversas aparece maria Madalena incarnada por Gaga e Judas papel atuado por um dos dançarinos.
A grande inquietude que o clipe nos provoca é a idéia de que a cantora está descentralizando os valores religiosos. Na verdade Lady Gaga pretende mostrar o quanto nós somos humanos e sujeitos ao erro. E por mais que queiramos e almejemos o bem é invevitavel experiementar
Diariamente nos deparamos com questões ou afirmações do tipo: Isso é moral, Movimento pela ética, ética profissional dos médicos. Esses são apenas alguns exemplos que nos fazem perceber que a moral e a ética fazem parte do nosso dia-a-dia e muitas vezes não percebemos porque já estão internalizadas em nós como questões naturais. Mas o que é Moral? O que é Ética? Qual a diferença entre as duas? A moral é relativa? Esses são alguns princípios que tentarei trilhar neste pequeno texto.
CONCIÊNCIA
A primeira coisa que precisamos ter claro é que somos seres de consciência e é ela que nos distingue de outros seres justamente pelo alcance em nossa vida e em nossas ações. Para compreender melhor essa importância e esse distintivo humano suponhamos duas situações hipotéticas:
1. PAULO PERDEU A CONSCIÊNCIA
2. PAULO AGIU DE ACORDO COM A CONSCIÊNCIA.
Na primeira situação perder a consciência é perder o sentido da existência de nós mesmos e do mundo. Quando estamos despertos, esse sentimento nos acompanha durante toda a vida em todas as nossas ações. Trata-se de uma CONSCIÊNCIA PSICOLÓGICA, que é o conhecimento de nós mesmos e do mundo que nos cerca. Temos consciência, por exemplo, de existir, das lembranças e dos sentimentos que nos assalta durante toda a nossa vida, dos nossos estados psíquicos, de que há um livro em cima da mesa , de que o dia está chuvoso ou ensolarado. Portanto, a consciência se estende à experiência do meio em que vivemos. Portanto. A CONSCIÊNCIA PSICOLÓGICA REVELA QUEM SOMOS, O QUE FAZEMOS E QUE MUNDO NOS RODEIA.
Já na segunda situação o sentido que podemos abstrair de consciência fala de CONSCIÊNCIA MORAL. Esta consciência refere-se aquele pensamento interior que nos orienta, de maneira pessoal, sobre o que devemos fazer em uma determinada situação que nos deparamos. Antes de agirmos a consciência nos alerta e nos orienta emitindo juízos (como uma voz interior). Após a realização da ação, a consciência moral volta a se manifestar como um sentimento que pode ser tanto de SATISFAÇÃO (recompensa pelo que se fez de bom ou de acordo com a norma) ou ainda um sentimento de REMORÇO (condenação pelo que se praticou contra as normas ou contra aquilo que é determinado socialmente como tolerável).
Diferentemente de nós humanos que agimos e julgamos de acordo com uma consciência que nos rege constantemente os animais, por sua vez, são amorais. Estes não possuem consciência e as suas ações são determinadas ou pelo instinto ou por adestramento que condiciona. Para ficar bastante clara essa distinção entre o agir humano e agir instintivo, próprio dos animais irracionais, utilizemos a hipótese de uma situação de Fome. Os animais irracionais procurarão satisfazer sua necessidade de forma imediata e voraz. Já o homem pode optar por abstenção de alimento por estar fazendo regime, por motivo de protesto (em uma greve de fome), ou optar por um ou outro alimento de acordo com o que lhe apetece. Ou seja, o homem age dentro de um significado histórico e cultural.
Um exemplo muito comum das grandes cidades e rodovias do país é o ATROPELAMENTO- após um atropelamento o motorista responsável pelo acontecimento pode ter dois comportamentos diferentes. Ele pode prestar socorro/assistência à vítima ou fugir e se negar assumir qualquer responsabilidade pelo fato. Ele toma uma decisão e independente do que escolha ele torna-se responsável moral e socialmente pela sua escolha. Mas se nesse acidente ele perde a consciência, não terá nenhum comportamento, porque estará desmaiado, fora de sua consciência. Portanto, existem 3 componentes fundamentais da vida MORAL:
CONSCIÊNCIA - LIBERDADE - RESPONSABILIDADE
MORAL
A moral é algo prático e imediato que faz parte da vida quotidiana dos indivíduos e das sociedades. Isso se deve não apenas ao fato de tratar-se de um conjunto de regras e normas que regem as nossas ações, dizendo o que devemos ou não fazer, mas também porque está embutida em nossos discursos e juízos de valor.
As normas morais são regras de convivência social ou guias de ação, porque nos dizem o que devemos ou não fazer e como fazer. As normas morais obedecem sempre a três princípios. Primeiro, são sempre caracterizadas por uma auto-obrigação, ou seja, valem por si mesmas, independente do exterior, são essências do ponto de vista de cada um. O segundo aspecto é a universalidade, e são universais porque a moral é própria de todo ser humano, é uma característica imprescindível do ser humano, variando apenas com o tempo e com a cultura a que pertence, portanto ela é relativa. O ultimo princípio diz respeito á incondicionalidade, isto é, são praticadas sem outra intenção ou finalidade que não ela própria.
ÉTICA
A ética trata-se de uma REFLEXÃO filosófica da moral. É o CONJUNTO de valores e princípios que nós utilizamos para decidir as três grandes questões da vida: