quarta-feira, 22 de agosto de 2012


O BELO

         Muitas vezes nos perguntamos acerca do belo e até nos envolvemos em discussões acerca de algo ou alguém, ora considerando bonito ora considerando feio. Há um ditado que diz "o amor é cego". não por acaso, pode-se dizer que em se tratando de um olhar "acostumado" é verídico que o nosso olhar se acostuma com aquilo que nos é caro. Já um olhar mais apurado e crítico com uma certa neutralidade, pode-se julgar de uma perspectiva totalmente diversa daquilo que se está acostumado.

          O grande músico da Música Popular Brasileira, Caetano Veloso, tem uma composição intitulada "O ESTRANGEIRO",  que é muito bela e ao mesmo tempo provocativa ao elucidar a temática do belo. É fácil perceber em sua canção ele explora os questionamentos acerca do belo e não nos fornece uma definição pura e simplesmente. A dificuldade em conceituar o belo acompanha o homem a muito tempo. Sócrates, por exemplo já dizia que: "Toda beleza é difícil". A partir de Aristóteles, ganha espaço uma nova concepção de belo com uma visão objetiva do belo utilizando-se para isso a simetria. Para Platão, entretanto, a visão mais adequada é aquela subjetiva, segundo a qual, o belo é uma experiência de prazer suscitada pelas coisas. Muito tempo depois, Kant (1724 - 1804), na Crítica do Juízo (1790), propõe a superação da polaridade ao distinguir a beleza de qualquer juízo racional ou moral. O duplo modo de conceituação da beleza é utilizado ao longo da história da arte, desde a Grécia Antiga.
          Porém, além dessa dualidade e da tentativa de superação kantiana, a arte moderna do século XIX - romantismo, realismo e impressionismo - assume uma atitude crítica em relação às convenções artísticas e aos parâmetros do belo clássico, sancionados pelas academias de arte.
          Dado este contexto vale a pena ouvir a música e tirar suas próprias conclusões a respeito do belo, que na minha concepção se encaixa perfeitamente no subjetivismo.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

DOCUMENTÁRIO ILHA DAS FLORES

ILHA DAS FLORES



           Este documentário retrata as diversas interligações possíveis entre uma plantação de tomates e todas as instancias sociais. Trata-se do giro do tomate. Este vídeo fala de um japonês que tem uma plantação de tomates no Rio Grande do Sul e que acaba participando de vários momentos sociais. É apresentado no primeiro momento a diferença entre homem e animal, diferenças elementares de morfologia e fisiologia. Logo em seguida ele passa a explorar as diferenças entre os próprios homens. 
         O tomate é uma enorme produção mundial para alimentar as pessoas e a plantação do Japonês é apena suma parcela disto. Os tomates após serem colhidos são vendidos para o supermercado que vende pra algum consumidor que leva para casa e prepara refeições com eles. Porém, alguns tomates podem estar estragados e serão jogados no lixo, que serão recolhidos pela coleta que é levado para o lixão no qual várias pessoas que não tem o mínimo para sobreviver procuram o que comer. 
       As diferenças entre os homens vão além do natural. são artificias. são diferenças produzidas pelo próprio homem que não se importa em excluir seus semelhantes daquilo que era pra ser repartido. O homem é um ser que possui um encéfalo desenvolvido,  possui  polegar opositor em forma de pinça e criou o dinheiro como moeda de troca para conseguir bens de consumo. bens estes que nem todos tem acesso, pois a distribuição é desigual.
            Esta é uma das maiores contradições do capitalismo, visto que, ao mesmo tempo em que gera riqueza aumenta cada vez mais a miséria e a exclusão social. O lucro e o acúmulo de riquezas se dá à medida que pessoas são exploradas e excluídas porque não possuem poder de consumo e não podem contribuir para manter o sistema. Por isso, é muito comum encontrar pessoas compartilhando o mesmo espaço com outros animais nos lixões. Ilha das flores é apenas um caso emblemático do que ocorre em diversos lugares espalhados pelo país. O brasil que é considerado um dos países mais ricos também é o que apresenta maior desigualdade social. Existe países como a suécia em que a desiguldade social é uma das menores do mundo, o Brasil, com sua herança colonial, apresenta um acultura de exploração e de discriminação com as maiores diferenças sociais do mundo. Estas são contradições do capitalismo que não se leva em consideração no debate hodierno.

quarta-feira, 25 de julho de 2012


CONSTRUÇÃO DE TEXTO DISSERTATIVO      
Autor: MARCELO DA SILVA BARRETO

Considere o conteúdo e a forma do texto dissertativo que segue. Observe os destaques em negrito, em vermelho e sublinhado, que logo em seguida explicarei o que eles significam.

                Nas redações de concursos geralmente pedem que se produza uma dissertação, que se trata de um texto argumentativo, onde uma ideia é discutida sobre determinado tema. Geralmente, uma dissertação é escrita em terceira pessoa, letras legíveis, mínimo de 25 e máximo de 30 linhas, dividida em parágrafos denominados de: Introdução; Desenvolvimento; e Conclusão.
            Assim considerando, uma dissertação apresenta uma ideia principal a ser desenvolvida através de outras que a sustentam. A ideia e/ou argumento principal é o eixo central do texto e é construída a partir de uma linha de raciocínio ao longo dos parágrafos, que devem manter coesão entre si atendendo a necessidade de coerência entre as ideias secundárias, discutidas nos parágrafos e a ideia principal.
            Desta forma, pode-se inferir que os parágrafos, por desenvolver o raciocínio possuem função especifica. Assim, no primeiro introduzimos a ideia principal, podendo também apresentar de forma sucinta as ideias secundárias de sustentação. No segundo, terceiro e quarto desenvolve-se o raciocínio. Sendo que cada parágrafo deve discutir apenas uma ideia mantendo conexão com o argumento e ou ideia principal. No último destes, associam-se as ideias secundárias sem acréscimo de outras e desta forma fecha-se o raciocínio.
            Por esta razão, a dissertação pode ser entendida como um processo de construção. Assim, deve-se ater a alguns detalhes importantes como: evitar o uso de termos como gírias e siglas; prezar pelas regras gramaticais e pela legibilidade das letras; usar palavras e termos conectivos entre parágrafos mantendo a integração entre eles; e quanto à estética atentar para o tamanho dos parágrafos, mantendo-os entre e cinco ou seis linhas respeitando, desta forma os limites propostos.
            Assim sendo, o tema proposto à dissertação é apresentado e discutido de forma clara e coerente, tornando-a de fato um texto argumentativo, uma vez que uma ideia principal é apresentada e desenvolvida um raciocínio ao longo dos parágrafos, dentro de um processo de construção, que se seguidos adequadamente facilitam a produção de uma dissertação.



Observações:

domingo, 1 de janeiro de 2012

Liberdade Ilusória

Arthur Schnitzler
Liberdade Ilusória  

A forma é sempre ausência de liberdade, mesmo quando é desejada. Por isso, em nenhuma forma de Estado, mesmo na aparentemente mais livre, a noção filosófica ou mesmo política de liberdade pode ser transposta para a realidade. Em si, pois, a república é tão pouco sinónima de liberdade como a monarquia - mesmo absoluta - é sinónimo de falta de liberdade. A diferença entre as formas de Estado reside sempre no ritual, e o ritual é sempre determinado, em última análise, pela personalidade daquele que está no cimo (quer seja imperador ou presidente).


Arthur Schnitzler, in 'Política e Guerra'

domingo, 25 de dezembro de 2011

Nietzsche


 
O Caminho da Felicidade  
Um sábio perguntava a um louco qual era o caminho da felicidade. O louco respondeu-lhe imediatamente, como alguém a quem se pergunta o caminho da cidade vizinha: «Admira-te a ti mesmo e vive na rua». «Alto lá», exclamou o sábio, «pedes demais, basta já que nos admiremos!» E o louco respondeu logo: «Mas como admirar sem cessar se não nos desprezarmos constantemente?»


Friedrich Nietzsche, in "A Gaia Ciência"

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Os Vários Tipos de Amor

Os Vários Tipos de Amor  

René DescartesParece-me que podemos, com maior razão, distinguir o amor em função da estima que temos pelo que amamos, em comparação com nós mesmos. Pois quando estimamos o objecto do nosso amor menos que a nós mesmos, temos por ele apenas uma simples afeição; quando o estimamos tanto quanto a nós mesmos, a isso se chama amizade; e quando o estimamos mais, a paixão que temos pode ser denominada como devoção. Assim, podemos te afeição por uma flor, por um pássaro, por um cavalo; porém, a menos que o nosso espírito seja muito desajustado, apenas por seres humanos podemos ter amizade. E de tal maneira eles são objecto dessa paixão que não há homem tão imperfeito que não possamos ter por ele uma amizade muito perfeita, quando pensamos que somos amados por ele e quando temos a alma verdadeiramente nobre e generosa. Quanto à devoção, o seu principal objecto é sem dúvida a soberana divindade, da qual não poderíamos deixar de ser devotos quando a conhecemos como se deve conhecer. Mas também podemos ter devoção pelo nosso príncipe, pelo nosso país, pela nossa cidade, e mesmo por um homem particular quando o estimamos muito mais que a nós mesmos. Ora, a diferença que há entre esses três tipos de amor manifesta-se principalmente pelos seus efeitos; pois, como em todos nos consideramos juntos e unidos à coisa amada, estamos sempre dispostos a abandonar a menor parte do todo que compomos com ela, para conservar a outra.
Isto leva-nos, na simples afeição, a sempre nos preferirmos ao que amamos; e, na devoção, ao contrário, a preferirmos a coisa amada e não a nós mesmos, de tal forma que não hesitamos em morrer para a conservar. Frequentemente se viram exemplos disso, nos que se expuseram à morte certa para defender o seu príncipe ou a sua cidade, e mesmo às vezes pessoas particulares às quais se tinham devotado por inteiro.

René Descartes, in 'As Paixões da Alma'

domingo, 18 de dezembro de 2011

EPICTETO

 
O Caminho para o Sucesso 
é Incompreendido pelos Outros. Se desejas ser bem sucedido, resigna-te, caro, face às coisas exteriores... Mesmo que saibas, não mostres qualquer saber; e se alguns te consideram alguém, desafia-te a ti próprio e desconfia de ti. Que saibas sempre, na verdade, que não é fácil de preservar a vontade em conformidade com a natureza, pois que, simultaneamente, sempre nos inquietamos com as solicitações do exterior.
Ora que fazer? Só uma regra necessária se impõe: quando nos ocupamos da vontade tendo a natureza por fundo (e nossa íntima intenção) só a uma coisa nos podemos obrigar - evitar qualquer desvio daquele nosso primeiro propósito.


Epicteto, in 'Manual'

sábado, 17 de dezembro de 2011



A IMPORTANCIA DO CONCEITO NO DISCURSO FILOSOFICO

A filosofia nasceu a partir do espanto, da admiração e da busca de conceitos. Porém, para Sócrates não era atividade fácil familiarizar-se com os conceitos, visto que a maioria absoluta das pessoas estava acostumada a receber passivamente os conceitos dados ou construídos por outrem. Mas, na filosofia o papel da reflexão e da construção de conceitos é uma atividade extremamente necessária. A passividade é inimiga desse processo, já que se não houver refutação ou argumentação (antilógica) não haverá construção, apenas repetições.
Os sofistas preocuparam-se com a retórica, isto é, com o poder da argumentação e da persuasão. Aristóteles, por sua vez, não se contentou e buscou a formulação e estruturação de um discurso válido que podemos denominar de silogismo. Esse processo de diferenciação foi fundamental para a ciência que se utiliza de conceitos e discursos.
Tanto a filosofia quanto a ciência necessitam do campo conceitual para formular suas teorias e teses. A investigação de pesquisadores  e o desenvolvimento de teorias dentro de uma determinada cultura dependem da capacidade de diferenciar os conceitos teóricos que determinam a praxis científica e social. A atividade filosófica será essencial porque estará baseada na tentativa de elucidar os significados dos conceitos e sua validade universal.
OS conceitos na filosofia são imprescindíveis porque sem eles não conseguiríamos ultrapassar as barreiras do mundo material/ sensível. Com eles pode-se elaborar uma metafísica que promoveria a integração da vida material com a alma (ou intelecto). Deste modo, o conceito assume a forma de necessidade universal, sem ele não poderíamos sequer existir enquanto ser racional e, por isso, estaríamos impedidos de filosofar e de atribuir significado às coisas. O conceito é o principal alimento da reflexão filosófica.

domingo, 11 de dezembro de 2011

A Felicidade pela Renúncia

António de Oliveira Salazar
A Felicidade pela Renúncia 
A felicidade é um estado de satisfação da alma, expressão de harmonia total entre as nossas aspirações e as realidades da vida. E por isso julgo mais simples atingir a felicidade pela renúncia do que pela procura e satisfação de necessidades sempre mais numerosas e intensas. A busca da felicidade exige, com efeito, supomos nós, um contínuo estado de insatisfação.


António de Oliveira Salazar, in 'Férias com Salazar

sábado, 10 de dezembro de 2011



O computador manipula dados ou conhecimentos?

            O conhecimento sempre esteve em pauta na história da filosofia que se debruçou prioritariamente na busca de sentido para os vários questionamentos humanos. O desafio para muitos filósofos é a busca de fundamentos para tudo o que o ser humano conhece. Uns acreditam que o sensível ou o inteligível ou os dois são a origem do conhecimento. A grande definição deste termo é elaborada por Platão na Grécia clássica, segundo ele o conhecimento provém de uma crença verdadeira e justificada.  Já para Aristóteles este conceito pode ser subdividido em três áreas diversas: científica, prática e técnica.
Porém, além dos conceitos dados por Platão e Aristóteles existe uma diversidade muito grande de tipos de conhecimentos produzidos pela humanidade: sensorial, intelectual, popular, cientifico, filosófico, teológico, intuitivo.







quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

ADORNO

Foto: Commons  
Um esquema que se tem confirmado na história de todas as perseguições é que a sanha contra os fracos dirige-se sobretudo contra os que são julgados socialmente débeis e ao mesmo tempo – com ou sem razão – felizes



THEODOR W. ADORNO “EDUCAÇÃO APÓS AUSCHWITZ”

domingo, 4 de dezembro de 2011

Karl Jaspers

A ânsia de uma orientação filosófica da vida nasce da obscuridade em que cada um se encontra, do desamparo que sente quando, em carência de amor, fica o vazio, do esquecimento de si quando, devorado pelo afadigamento, súbito acorda assustado e pergunta: que sou eu, que estou descurando, que deverei fazer? O homem precisa de se arrancar a si próprio para não se perder no mundo e em hábitos, em irreflectidas trivialidades e rotinas fixas...
Filosofar é decidirmo-nos a despertar em nós a origem, é reencontrarmo-nos e agir, ajudando-nos a nós próprios com todas as forças...
Orientar filosoficamente a vida não é esquecer, é assimilar, não é desviar-se, é recriar intimamente, não é julgar tudo resolvido, é clarificar...
São dois os seus caminhos: a meditação solitária por todos os meios de consciencialização e a comunicação com o semelhante por todos os meios da recíproca compreensão, no convívio da acção, do colóquio ou do silêncio.


Karl Jaspers, in 'Iniciação Filosófica'

sábado, 3 de dezembro de 2011

É possível ensinar a virtude cívica?



É possível ensinar a virtude cívica? 

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É possível preparar alguém para o exercício da cidadania através da educação?



Na Grécia antiga houve embates muitos fortes entre aqueles que se consideravam filósofos e os que foram chamados de sofistas. Porém, tanto estes quanto aqueles tinham uma preocupação filosófica: o uso da razão para um determinado fim. No caso dos sofistas a preocupação era o treino e o estudo das habilidades da fala, da argumentação (mundo da doxa). Já os “filósofos propriamente ditos” buscavam o conhecimento verdadeiro (a episteme, como os gregos a conheciam).
Diante do exposto acima, resta-nos a seguinte questão: é possível ensinar a virtude cívica? Antes de responder a esta pergunta cabe primeiramente saber o que significa virtude. Para Platão e Aristóteles esta era entendida como algo muito importante para a sociedade. Para eles a virtude era algo objetivo que todos os cidadãos deveriam saber para bem agir. Mas, é preciso enfatizar: a virtude é algo inato ou construída socialmente? Platão procurou a essência de cada virtude que julgava importante, já Aristóteles buscava a definição de tais virtudes (justiça, coragem, prudência, temperança, etc.). Independente da abordagem feita por cada um deles, o importante é que sabendo a essência ou a definição, a ação virtuosa ocorria necessariamente. Isto significa que a virtude poderia ser ensinada. Pois, se alguém não sabe o que é a virtude pode compreendê-la através da razão.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Economia, desigualdade social, injustiça e imposição da mídia



 Economia, desigualdade social, injustiça e
imposição da mídia para o consumo.

Adam Smith é considerado uma grande referencia para os estudos de economia. Foi ele, por exemplo, quem defendeu o liberalismo econômico, fenômeno caracterizado pela liberdade de mercado e neutralidade do Estado ante os assuntos e decisões econômicas. A economia consiste na regulamentação de praticas que tem como principal característica fazer circular o que é produzido pela sociedade, isto é, pelos cidadãos. Porém, o homem quando opta por viver em sociedade, faz a opção também de se sujeitar as leis que regem um grupo. É o estado o responsável por lutar e defender os interesses daquela sociedade. Sabendo disso, é evidente que o Estado intervenha na economia para proteger o “seu grupo” os “seus cidadãos”. Portanto, acredito que Adam Smith, apesar de ter dado uma enorme contribuição para reflexões acerca da economia pode ter se equivocado ao defender o liberalismo econômico, visto que toda atividade econômica deve ter ligação com o Estado e mesmo que não seja totalmente controlado pelo menos aceite algumas intervenções. O liberalismo é extremamente individualista e pode favorecer um individuo em particular sacrificando os interesses comuns. A ressalva a ser considerada é que o Estado não pode ser intervencionista ao extremo e a ponto de comprometer o bem comum, como o fato que foi verificado na época da cafeicultura aqui no Brasil quando o Estado para beneficiar os donos de terras comprava café e estoca e depois queimava, visando valorização externa do produto. Enquanto isso, uma grande parte da população passava fome. 


            Diante disso, pode-se dizer que tanto o liberalismo quanto o intervencionismo ao extremo são prejudiciais à economia “comunitária” e acabam gerando mau funcionamento e distorções até chegar às desigualdades sociais. Estas existem desde as civilizações antigas. Porém, com o advento do capitalismo e com a globalização, ao mesmo tempo em que favoreceu as trocas comercias contribuíram para a concentração de riquezas. As injustiças sociais vêm acompanhadas de uma ideologia dominante, que rege a sociedade e manipula as vontades individuas e coletivas em favor de um pequeno grupo. 



Segundo Karl Marx toda sociedade é feita de contradições e conflitos. Porém, a mudança só virá quando0 a classe menos favorecida conscientizar-se de seu jugo e unir-se para lutar contra sua situação de subjugado. Em suas idéias Marx defendeu um materialismo histórico e dentro deste destacou o papel da economia. Segundo ele a estrutura econômica era a base para toda organização social (ou superestrutura). A melhor compreensão para esse materialismo histórico seria entender como funciona a alienação do trabalho. Neste, o homem trona-se um ser estranho ao seu próprio esforço e ao produto dele resultado.
            Weber por sua vez tecia uma forte critica a Marx por acreditar que este foi extremamente reducionista e unilaterista ao reduzir toda a vida social e seus acontecimentos ao âmbito econômico. Portanto, Weber busca descentralizar a relevância econômica para diversos setores sociais que estão além da economia como religião, arte, entre outros.

            Para finalizar vale ressaltar que dentro de todos os aspectos abordados até aqui verifica-se uma busca desenfreada por concentração de riquezas e bens. A sociedade capitalista e globalizada cria o mito da inclusão de todos dentro de uma aldeia global na qual a única regra é consumir. Eric From, filósofo ligado à escola de Frankfurt, escreveu uma obra intitulada “O ser o e ter” na qual defende que a sociedade passa por um esvaziamento de sentido, isto é, as pessoas estão perdendo o sentido de ser e de existir e passam a adotar o comportamento consumista, segundo o qual o que vale é o ter e não ser. Aliás, o ter passa a determinar o ser, ou seja, você é aquilo que consome.

Uma das grandes forças deste movimento de manipulação e de controle é a mídia que consegue impor fortes ideologias, na maioria das vezes consumistas. O reflexo de tais acontecimentos é uma sociedade esvaziada de sentido.   





sábado, 26 de novembro de 2011

O PALHAÇO



O filme baseia-se no itinerário de um circo denominado ESPERANÇA. Porém, o foco está nos conflitos de um palhaço que encanta a platéia mas por trás do personagem que encena nos palcos vive um grande conflito: onde encontrar a felicidade?

           Desde os primórdios, o homem sempre se questionou acerca da felicidade. Onde estará a felicidade? Alguns filósofos da Grécia antiga vão afirmar que a felicidade está em desfrutar o presente. Outros dirão que a felicidade está numa vida vivida segundo as virtudes.

O grande problema é que o palhaço não consegue mais encontrar o sentido para aquilo que faz. Ele diz: “eu faço muitas pessoas rirem, mas quem vai me fazer rir?”. O personagem sairá em busca de respostas. Para isso ele abandona o circo e toda sua tropa em busca de respostas. Primeiro ele acredita que sua felicidade estaria em encontrar a mulher amada e parte numa busca desenfreada da garota que ele conheceu em um dos espetáculos do circo. Além disso, ele começa a busca por um emprego, que por certo traria certa tranqüilidade. As decepções começam quando ele descobre que a mulher que ele tanto devota está prometida em casamento e o trabalho gerava monotonia para o seu dia-a-dia. 

terça-feira, 22 de novembro de 2011

CORRENTE DO BEM x FILOSOFIA



CORRENTE DO BEM  x  FILOSOFIA

Autor: José Vandinei da Silva

A filosofia apresenta-se ao homem como uma ferramenta para desvendar mistérios e enigmas que antes eram explicados por visões místicas ou religiosas. Todos os fenômenos recebiam algum tipo de intervenção dos deuses. Porém, com a filosofia o homem busca responder a tais questões utilizando-se de seus dotes racionais.
O filme “A Corrente do Bem” nos relata a história de um garoto inquieto com o desafio do professor, buscando colocar em prática aquilo que ele acredita ser o ato mais supremo do ser humano: ajudar a quem necessita sem distinções. A corrente do bem foi criada pelo aluno e baseia-se numa ideia que tem três premissas: Ajudar a alguém com algo que este não pudesse realizar sozinho; Isso seria praticado com três pessoas; e cada pessoa ajudada faria o mesmo por outras três. Assim, a corrente cresceria em progressão geométrica: três, nove, vinte e sete e assim sucessivamente.
Para relacionar este filme às questões filosóficas poderemos considerar as questões éticas debatidas desde os filósofos antigos atravessando o percurso da história da filosofia e suas reflexões. Iniciando por Platão, pode-se considerar que a visão platônica prioriza os valores suprassensíveis. Segundo ele nós humanos deveremos fazer uma renuncia a todos os prazeres sensíveis. O prazer sensível é visto como uma antítese do bem. Já Aristóteles defende um saber intimamente relacionado às práticas humanas. Para este a política e a ética são resultados das praticas e escolhas humanas e que a felicidade não é mera contemplação, mas resultado das escolhas corretas avaliadas pela ética. O filme em questão está implicitamente de acordo com as idéias aristotélicas, ou seja, a corrente do bem nasce primeiramente como uma idéia e depois se concretiza a partir das ações humanas, através de uma escolha. 


Segundo Aristóteles existe fins que os seres humanos desejam visando outros fins. Porém, o fim supremo para Aristóteles é a eudaimonia, isto é, a felicidade. Portanto, a felicidade é fruto das ações humanas e não algo contemplativo como defendia Platão. A corrente do bem não seria possível sem a prática humana. Portanto, teoria e pratica se complementam. 
Quando o menino coloca em prática suas idéias deixa claro que o bem deve ser uma escolha e praticado de forma irrestrita. Como diz o apóstolo São Paulo: se fazes o bem somente a quem te faz que gratuidade é essa? Portanto, tratava-se de uma atitude ética, aceitável, virtuosa e, sobretudo, fruto de uma escolha livre. Segundo santo Agostinho, Deus criou o ser humano livre e ele pode escolher entre fazer o bem ou o mal, isto é, aproximar-se ou afastar-se do supremo bem. Implicitamente, poder-se-ia interpretar a ação do menino como acordada com a moral agostiniana. Esta consiste na relação do homem com Deus. Portanto, a ética de santo Agostinho é uma ética harmonizada com os preceitos morais cristãos.
Para os gregos o homem bom é aquele que sabe e conhece já para Agostinho o homem bom é aquele que ama aquilo que deve amar. Portanto, pode-se dizer que o garoto do filme obedece às duas premissas.  
Além dessa relação com os pensadores antigos e medievais podemos ainda relacionar o filme com as idéias kantianas, principalmente no que se refere ao imperativo categórico: “Age de tal maneira que possas querer que o motivo que te levou a agir seja uma lei universal” envolvendo também a vontade livre que motiva as nossas ações. O personagem do filme age de forma livre e acreditando que seu modelo pode tornar-se um modelo universal. Pode-se afirmar que as ações do menino revelam uma moralidade porque são livres e porque podem ser usadas por todos sem prejuízo da liberdade alheia. É preciso verificar que embora se faça o bem, este é incondicional, sem determinações normativas ou sem expectativas de uma recompensa. Esse era o critério da corrente adesão livre e sem expectativas.












domingo, 20 de novembro de 2011

DESCARTES

Foto: CommonsVícios e Virtudes

As maiores almas são capazes dos maiores vícios tanto quanto das maiores virtudes, e os que só andam muito lentamente podem avançar muito mais se seguirem sempre o caminho reto, do que aqueles que correm e dele se distanciam”






RENÉ DESCARTES
“DISCURSO DO MÉTODO”

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

A Sabedoria da Calma

Arthur Schopenhauer
A Sabedoria da Calma  


Aquele que mantém a calma diante de todas as adversidades da vida mostra simplesmente ter conhecimento de quão imensos e múltiplos são os seus possíveis males, motivo pelo qual ele considera o mal presente uma parte muito pequena daquilo que lhe poderia advir: e, inversamente, quem sabe desse facto e reflecte sobre ele nunca perderá a calma.




Arthur Schopenhauer, in "A Arte de Ser Feliz"